Junta de Freguesia de Santa Cruz


Igreja Matriz

Do complexo que compõe a igreja destaca-se, no seu exterior, o pórtico da fachada principal e os dois portais laterais quinhentistas, ao estilo Manuelino. Acrescenta-se ainda a esplendorosa rosácea gótica, que se avista sobre o pórtico do frontispício. O seu interior apresenta três naves delimitadas por duas séries com seis arcos cada.

Em sequência das diversas crises sísmicas que afectaram a estrutura desta edificação, as sucessivas reconstruções operadas não permitem definir um estilo, mas sim uma fusão de vários estilos de construção. No seu interior pode destacar-se a fonte baptismal; as pias de água benta; a sacristia; a talha barroca da Capela do Santíssimo Sacramento do século XVIII; a Capela-Mor com talha dourada barroca do século XIX. Refira-se ainda os painéis nas paredes laterais de S. Pedro e S. Paulo, bem como da “Última Ceia” e do lava-pés respectivamente; a Capela de Nossa Senhora do Rosário, possuidora de admirável talha dourada, é também conhecida pela “Capela dos Ornelas” por lá se encontrarem sepultados os restos mortais de Francisco Ornelas da Câmara, figura de relevo na história da restauração da Praia da Vitória, e da sua família; o Tesouro da Matriz – neste templo encontra-se um dos mais ricos e vastos espólios de arte sacra e paramentos litúrgicos da ilha Terceira e dos Açores. De especial valor encontra-se a imagem do Menino Deus, do século XVII, conservada em caixa de prata do século XVIII, proveniente das religiosas de Jesus da então Vila da Praia.

Igreja da Misericórdia

Trata-se de um templo que remonta ao século XVI, dedicado ao Senhor Santo Cristo. É um edifício de duas naves, separadas por uma colunata, formando duas Igrejas com as respectivas Capelas-Mor, a do Espírito Santo e a de Nossa Senhora da Visitação. A Igreja do Espírito Santo foi construída em 1496 e a Igreja da Misericórdia, em louvor a Nossa Senhora da Visitação, em 1498. As duas igrejas construídas lado a lado, foram unificadas em 1521, a quando da União das Irmandades. A Igreja serviu por diversas vezes de Matriz, quando a mesma sofreu danos por ocasião de terramotos (1800, 1801 e 1841). Foi reedificada no século XX, após ter sido atingida, em 1921, por um violento incêndio que a destruiu quase por completo. Existiu em tempos nesta igreja, uma imagem do Senhor Santo Cristo que, segundo reza a tradição, apareceu um dia junto à costa dentro de um caixão que boiava no mar, não se sabendo de onde provinha. Alvo de uma grande devoção por toda a ilha, a imagem acabou por ser destruída no incêndio de 1921. Nesta igreja encontra-se uma imagem do Pai Eterno, única nos Açores, que foi recolocada na igreja em 1980.

A igreja tem a fachada principal constituída por um corpo central ladeado por torres sineiras. O corpo central tem um remate ondulado limitado por uma cornija que se prolonga horizontalmente abraçando as torres. Ao eixo, sobre o topo superior do remate, encontra-se uma cruz. As torres são rematadas por coruchéus piramidais octogonais e têm um pináculo sobre cada um dos cunhais. Os vãos dos sinos são rematados por arcos de volta perfeita peraltados. Os restantes vãos da fachada (corpo central e torres) são de grandes dimensões e têm elementos decorativos salientes aplicados sobre as vergas. De assinalar, as falsas rosáceas existentes em ambas as torres. O interior é actualmente de nave única mas a cabeceira inclui duas capelas em paralelo: Espírito Santo e a de Nossa Senhora da Visitação. Ambas comunicam com a nave através de arcos triunfais de volta inteira em cantaria, existindo um arco de comunicação entre elas igualmente em cantaria.

Ermida de São Lázaro

Trata-se de um complexo de casas e ermida, construídas por volta de 1520 por Gonçalo Vaz Homem, que mais tarde doou as referidas casas para servirem de hospital. Este hospital era uma Leprosaria ou Leprosário, onde se recolhiam os que padeciam dessa terrível doença. Estava destinado apenas a homens, as senhoras seriam atendidas no Hospital dos Lázaros de Angra do Heroísmo.

Era nesta ermida que os leprosos atendiam a Eucaristia, orações e serviços religiosos. Ainda hoje se observa, no lado esquerdo da ermida, um pequeno quarto com uma coluna e seu capitel, dividindo-se em dois arcos e uma grade de madeira que tinha por função evitar o contacto entre leprosos e outros fieis que ocorressem a esta ermida para assistirem à missa.

Trata-se de um templo com apenas um altar, encimado com as Armas do Reino, onde inicialmente se encontravam as imagens de São Lázaro, de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus e ainda a bandeira da Misericórdia. Possui também, um púlpito do lado direito e duas portas de entrada, uma no frontispício e outra lateral.

Ermida de São Salvador

Fundada por Afonso Eanes de Nossa Senhora da Graça e sua esposa Catarina Inês, julga-se que a data da sua edificação seja por volta de 1530. Situada a Poente da Matriz da Praia da Vitória, onde também se encontrava a ermida de Nossa Senhora da Graça, também fundada por Afonso Eanes e sua mulher que nutria grande devoção à Virgem da Graça, esta ermida tem uma espaçosa porta de entrada, duas janelas laterais e ao fundo o altar com as imagens de Santo António e Santa Isabel. A sacristia encontra-se do lado direito do altar, e no interior do mesmo. Em tempos, possuía uma imagem do Beato João Baptista Machado, presentemente na Igreja Matriz, e foi nesta ermida que funcionou a Irmandade do Beato João Baptista Machado, primeira e única na ilha.

Ermida de Nossa Senhora dos Remédios

Não se consegue precisar ao certo, a data de edificação desta ermida, mas em 1586, no Obituário de Santa Cruz, aparece uma referência ao falecimento de uma escrava de “Glil Fernãodez Teixeyra”, a qual foi sepultada na Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, sendo esta a mais antiga referencia sobre a dita ermida. Assim a edificação desta ermida, datará de uma época anterior a esta data.

Quanto à sua arquitectura, desde logo se nota a sua porta larga e a janela sobre a mesma, possuindo ainda duas janelas laterais e uma outra porta para o lado da Rua dos Remédios, com a inscrição de 1616, data provável da abertura dessa mesma porta, uma vez que a ermida foi atingida pelo terramoto de 9 de Abril de 1614. No seu interior encontramos o altar e respectivo retábulo com as imagens de Nossa Senhora dos Remédios, ladeada à direita pelo Sagrado Coração de Jesus e à esquerda por São Francisco. Podemos também observar, o púlpito do lado norte e os altares laterais, onde estão presentes as imagens de São Brás e São Cristóvão. Estes altares laterais, encontram-se protegidos por uma grade de madeira, dentro da qual se encontra, do lado esquerdo do Altar-mor, a porta da pequena sacristia.

Império da Caridade ou das Figueiras do Paim

O seu nome provém de um dos membros da Família Paim, descendentes de Duarte Paim, que chegou até a esta ilha na companhia do Primeiro Capitão do Donatário. Acredita-se que se chama assim desde o início do século XVII por ser um local de muitas quintas de damasqueiros, ameixieiras, nespereiras e outras árvores de fruto, mas também bons terrenos para a agricultura.

Até meados do século XX a sua estrutura em madeira, era desmontável e utilizada apenas nos três dias de festa. No ano de 1945 deu-se a edificação do império em alvenaria, tratando-se assim de uma das construções mais recentes de toda a ilha. Quanto à sua “despensa” esta foi inaugurada um pouco antes, em 1941. 

Em 1995 este conjunto edificado foi transferido, para onde se encontra actualmente.

Este tipo de edificações aparecem sobretudo no século XIX, no entanto o culto ao Divino Espírito Santo surge nas ilhas trazido pelos primeiros colonizadores, no século XV. 

Império das Crianças

O Império das Crianças foi construído no século XIX. Localizava-se numa zona piscatória, com famílias muito numerosas e com muitas dificuldades, e por isso tinha como objectivo ajudar as crianças mais carenciadas. Esteve abandonado durante algum tempo, mas por volta de 1959, três homens, Manuel Laranjeiras, António Gil e Elias Silva retomaram esta iniciativa construindo um império em madeira. Em 2002, o império passou a estar pintado na parede, obra realizada pelo artista Ramiro Botelho. Actualmente o império é uma estrutura embutida na parede e continua a desempenhar as mesmas funções do passado. Todos os anos, no dia do Bodo, o Império das Crianças oferece um almoço para todas as crianças que por lá apareçam.

Igreja da Casa da Ribeira

Primeiramente uma ermida, esta igreja foi mandada erigir por João Gonçalves de Duraço Barros, abastado morador deste lugar, 1545 instituindo a capela de São João de Latrão em cabeça de morgado. Em 1691, o bispo D. Fr. João dos Prazeres elevou a curato a ermida de São João da Casa da Ribeira. Este curato foi bastante atingido pelo terramoto de 1841, e o templo de São João apenas foi reconstruído em 1844.
 
Igreja de linhas vulgares e restaurada em 1976, a igreja de São João apresenta uma inscrição tumular do seu fundador João Gonçalves de Duraço Barros, abastado morador deste lugar, que em 1545 instituiu a capela de São João de Latrão, um arco triunfal em pedra do séc. XVII. As imagens do orago, ladeados pelas de Santo Izidro e São Sebastião do séc XVIII, no altar-mor, do lado da epístola a Virgem de Fátima e o Menino Jesus de Praga, do lado do Evangelho sobressai Nossa Senhora da Esperança, do séc. XVIII.

Igreja de Santa Rita

Foi edificada em 1753 pelo Capitão Manuel Inácio de Ornelas, capitão-mor de ordenanças de Angra. À volta desta ermida formou-se um povoado que, através do Decreto de 14 de Agosto de 1861, passou a constituir o curato de Santa Rita. Possui um altar com retábulo, coro alto e em 1969 foi acrescentado um pórtico para aumentar as assistências das cerimónias religiosas.

Igreja de São José (Santa Luzia)

Edificada em 1690 junto ao convento de São Tomás de Vila Nova, em São Mateus da Calheta, foi reedificada em 1900, em Santa Luzia, pela mão do Padre Francisco Rocha de Sousa. Nela sobressai a grande quantidade de pedra de cantaria na sua fachada, as armas da Ordem de Santo Agostinho, medalhão de madeira em relevo, uma lápide numa das laterais exteriores onde se lê “Em o primeiro de Maio de 690 se deu princípio a esta igreja para a qual concorreu com suas esmolas o ilustríssimo Senhor D. Frei Clemente Vieira Bispo de Angra da mesma Ordem de nosso padre Santo Agostinho e mais devotos de S. Tomás benzeu a pedra Mui Reverendo Padre Frei José de Sousa Vigário Provincial lançou-a o Capitão-Mor Manuel Paim de Sousa e Câmara”. Tem duas capelas laterais, púlpito, guarda-vento e coro alto.

Império do Espirito Santo de Santa Rita.

Trata-se de um império edificado com planta quadrangular, de um único piso que foi assente num embasamento sobrelevado e acessível, na fachada principal, por um conjunto de cinco degraus curvos. Apresenta três vãos na fachada principal e dois em cada uma das fachadas laterais. As janelas guardadas por uma guarda de ferro fundido e a porta são rematadas por um arco trilobado.

A fachada principal foi rematada por um frontão de forma contra-curvada debruado por cornija, e ladeado por urnas e encimado por uma coroa do Espírito Santo. Este império foi rebocado e caiado a cal de cor branca à excepção dos cunhais boleados, das pilastras, da cornija e das molduras dos vãos que foram edificados em cantaria pintada de cinzento. O telhado apresenta-se de duas águas, e é rematada por beiral simples. No frontão e inserido numa cartela é possível ler a data de 1888.

O Império do Espírito Santo de São Pedro (Santa Rita).

Este Império do Espírito Santo tem a sua fundação no século XX mais precisamente no ano de 1964.

Império do Espírito Santo de Santa Luzia da Praia.

Este Império do Espírito Santo tem a sua fundação no século XIX mais precisamente no ano de 1875








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