Junta de Freguesia de Santa Cruz


Casa Vitorino Nemésio

Este local foi o berço de um dos mais conceituados escritores portugueses do século XX.

Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa. Pouco antes de morrer, Vitorino Nemésio terá pedido ao seu filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra e pediu que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.

A Casa Vitorino Nemésio não pretende ser apenas um espaço museológico. A sua criação teve por objectivo a provocação dinâmica para o estudo da personalidade e da obra de Nemésio. Assim, reservaram-se espaços para o visionamento de vídeos alusivos a Vitorino Nemésio, com particular destaque para o programa televisivo que o celebrizou, o “Se bem me lembro” e para o contacto directo com a sua obra literária.

Apesar de não apresentar como objectivo principal a perspectiva museológica, esta não foi descurada. Assim, na casa podem-se observar alguns pertences nemesianos, bem como uma série de painéis ilustrativos de época que possibilitam, por um lado, vislumbrar a praia de Nemésio e por outro fazer o enquadramento de passagens de algumas das suas obras. Musealizado por excelência, encontra-se o espaço da cozinha, onde pode ser observado um considerável espólio de utensílios domésticos, que permitem visualizar como seria o quotidiano da casa à época em que viveu este vulto da cultura Portuguesa.

O espaço do jardim possibilita momentos agradáveis de relaxamento, num ambiente agradável e descontraído, onde se dispõe de uma bela paisagem sobre o casario da urbe praiense. Aí pode-se ainda visionar algumas peças trabalhadas em pedra de cantaria, tão tradicionais deste concelho, bem como o espólio de uma antiga carpintaria, relembrando a profissão do avô do escritor.

Casa das Tias

A Casa das Tias de Vitorino Nemésio é um edifício histórico, que remonta ao século XVIII e encontra-se junto à Igreja do Senhor Santo Cristo das Misericórdias. Foi reconstruída no século XIX, após o terramoto de 1841. Uma casa vistosa e que chama de imediato a atenção pelas dez janelas da sua fachada e pela longa varanda que, outrora existiu na mesma fachada. Nesta casa viveram as tias de Vitorino Nemésio e foi aqui que o ilustre escritor açoriano passou parte da sua infância e juventude.

Por diversas vezes nas suas obras, Nemésio faz referências à casa das suas tias, como por exemplo, em Festa Redonda e Varanda de Pilatos.

Casa Silvestre Ribeiro

Fundado em 1613, este edifício situa-se na Rua da Alfândega, nas proximidades da Avenida Álvaro Martins Homem. No dia 24 de Maio de 1614, foi destruído pelo terramoto que assolou a Vila, sendo posteriormente reconstruído pelo Provedor António Ferreira Bettencourt em 1632. Dois anos mais tarde, seria criada a Alfândega neste edifício, sendo o seu primeiro “almoxarife”, Francisco Ferreira Drumond. Foi novamente destruído pelo terramoto de 15 de Junho de 1841, sendo mandado reconstruir em 1844 pelo Conselheiro Silvestre Ribeiro. Este edifício serve, actualmente, de posto da Guarda Nacional Republicana.

Casa da Roda/Casa d’el Rei

Não se sabe ao certo onde terá sido colocada inicialmente a Roda dos Expostos. Pensa-se que no início foi colocada numa casa, que não reunia as condições necessárias para o seu bom funcionamento. Em 1800, por ordem do Capitão-General Dom Lourenço de Almada, a Câmara da Praia edificou uma pequena casa, onde fez assentar a Roda dos Expostos. Por esta casa possuir este mecanismo passou a ser chamada de Casa da Roda, Casa da Exposição, Hospício ou somente A Roda. Esta casa foi ainda conhecida por Casa d’el Rei, por se encontrar na sua fachada, gravado em pedra de cantaria, um brasão com as armas reais da coroa portuguesa.

Estava destinada ao acolhimento de crianças cujas as mães, normalmente solteiras, não as conseguiam sustentar ou por serem resultado de gravidezes indesejadas. Após ser colocada no mecanismo de madeira este era rodado e posteriormente tocado um sino de forma a alertar o responsável de que havia sido deixada uma criança. Procedia-se de forma incógnita e raramente se sabia quem era a mãe. Este estratagema era frequentemente utilizado por senhoras da alta sociedade da altura com o intuito de evitarem o aparecimento de filhos ilegítimos na família.

Durante o período em que funcionou, este espaço acolheu muitos bebés que ali eram depositados. A maior parte destas crianças acabava por falecer pouco depois de ali serem deixados, apesar de serem sustentados pela Câmara. Poucos atingiram idade adulta, morrendo na sua maioria antes dos três meses de vida como consta nos livros de óbitos de Santa Cruz.

Paços do Concelho

Classificado como Imóvel de Interesse Público, o edifício dos Paços do Concelho da cidade da Praia da Vitória remonta ao século XVI, tendo no entanto sofrido obras de reconstrução no século XVII, após o sismo de 1614. De todo o complexo, merece especial destaque a larga e bem lançada escadaria externa, simétrica à fachada do edifício, e o balcão ao cimo, com alpendre que lhe conferem a imagem de um típico solar nortenho. Acrescente-se ainda a torre sineira de 1596 (possível data para a conclusão da construção dos paços do concelho) adjacente à restante edificação, onde se pode encontrar uma lápide comemorativa do V Centenário Henriquino, onde se lê: ESTA É A CÂMARA DE DIOGO DE TEIVE, / ALVARO MARTINS HOMEM, / PERO DE BARCELOS, / QUE AQUI POVOARAM E DAQUI / ABRIRAM Á EUROPA OS MARES DO OESTE. De salientar, é também o brasão municipal, com as antigas armas portuguesas, que se encontra no frontispício do edifício.

No seu interior merece destaque, o salão nobre. Aí se encontram magnificas pinturas referentes a José Silvestre Ribeiro, ilustre benfeitor da cidade, e à batalha de 11 de Agosto de 1829, alusiva à vitória das tropas Liberais sobre a esquadra Miguelista na baía da Praia.

Ainda hoje os Paços do Concelho mantêm o seu perfil excelentemente conservado e muito próximo da traça original. Conjuntamente com a Igreja Matriz da Praia da Vitória, este edifício é um dos melhores exemplares das raízes histórico-culturais e político-administrativas dos primórdios da ilha Terceira e da Praia primitiva.

Forno da telha da Boa Vista

A sua construção data do final do século XVI ou início de século XVII, durante o período da ocupação espanhola na ilha Terceira. O complexo é constituído por dois fornos de telha, um forno de cal e um edifício anexo de apoio, situado em diferentes níveis de terreno. Esta construção possui características que merecem especial atenção como as coberturas abobadadas dos fornos de telha, onde se podem salientar as chaminés de forma cónica, bem como as molduras construídas em cantaria e alvenaria.

Memorial a Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão, mais tarde conhecido como visconde de Almeida Garrett, nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799Lisboa a 9 de Dezembro de 1854, foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português. Foi um dos grandes impulsionadores do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português e as suas obras de maior renome são: Frei Luís de Sousa; Viagens na minha terra; Folhas Caídas. vindo a morrer em

Refugiou-se, ainda adolescente, com a família nos Açores, procurando a segurança nas suas propriedades da Ilha Terceira, aquando das invasões napoleónicas. Em 1816, abandona a ilha com destino a Coimbra, para continuar a sua formação académica.

Aquando das celebrações do Centenário de Almeida Garrett, no dia 2 de Dezembro de 1955, foram descerradas duas placas em memória de Garrett no miradouro António Jacinto Ázera.

Convém realçar, que foi Garrett quem pressionou as Cortes a darem à Cidade da Praia o título de “da Vitória” e “Mui Notável”. A 12 de Janeiro de 1837, D. Maria II outorgou o título “da Vitória” à então Vila da Praia.








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